
Uma simbiose entre humanos e tecnologia
Que visão de mundo e estado de consciência devem sustentar nosso avanço tecnológico?
Você já percebeu que as discussões sobre transumanismo tendem a focar mais na tecnologia do que no humanismo? A jornada rumo ao nosso mais alto potencial como espécie geralmente se concentra no externo – nas inovações tecnológicas – em vez do interno, em nossa evolução consciente.
Isso provavelmente acontece porque muitas pessoas associam a evolução consciente à espiritualidade, enquanto veem a tecnologia como um produto da criação humana.
Esses dois caminhos, no entanto, são interdependentes, e precisamos de mais diálogos entre especialistas de ambos os campos. Somente através do reconhecimento da natureza simbiótica entre os humanos, suas tecnologias e o meio ambiente poderemos evitar a autodestruição.
trans·hu·ma·nis·mo (s.m.)
1. Crença de que os seres humanos devem buscar transcender as limitações físicas da mente e do corpo por meio de tecnologias.
2. Movimento de pessoas que defendem essa crença.
Diante de uma Encruzilhada
A influência da tecnologia sobre a sociedade e a cultura é chamada de determinismo tecnológico. A maioria de nós carrega supercomputadores de bolso – os smartphones. Esses dispositivos atuam como cérebros externos, integrados de forma invisível à nossa vida cotidiana.
Somos completamente dependentes deles para viajar, trabalhar, nos comunicar, nos entreter… Reflita por um momento sobre as implicações futuras da realidade aumentada, inteligência artificial, aprendizado de máquina, vigilância em massa, automação, edição genética, nanotecnologia – e seus impactos sobre a sociedade, cultura e meio ambiente.
Quando penso nisso, não consigo deixar de me perguntar:
Por que pessoas como o Dalai Lama, Deepak Chopra e Dr. Andrew Weil não estão conversando mais com Ray Kurzweil, Elon Musk e Steve Mann?
Futuros Ancestrais
Torna-se cada vez mais imperativo que nossas tecnologias mais avançadas sejam informadas pela ética natural dos povos indígenas, em harmonia com a inteligência emocional de nossos mestres espirituais iluminados.
Devemos lembrar que os primeiros humanos que capturaram o fogo para iluminar suas cavernas, aquecer-se ou cozinhar também estavam usando tecnologia. Antropólogos orgulhosamente nos chamam de “criadores de ferramentas” – um dos atributos que nos distinguem de outras espécies.
Mudança de Paradigma
A evolução consciente exigirá um esforço coletivo para comunicar-se entre silos e disciplinas. Cooperação e colaboração com metas coletivas precisarão substituir a competição por ganhos pessoais.
O que realmente estamos tentando alcançar? E a que custo?
Somos uma espécie movida pelo risco – isso nos impulsiona a ultrapassar nossos limites. Mas que esses riscos sejam calculados, pois com o poder da tecnologia vem também grande responsabilidade.
Comece por Dentro
Mesmo as tecnologias mais sofisticadas não se comparam à complexidade dos sistemas orgânicos. Computadores e máquinas podem fazer muitas coisas por nós, mas nunca serão capazes de sentir por nós.
O reino da emoção é central e único à experiência humana – e só agora começa a ser reconhecido como uma forma valiosa de inteligência.
“Inteligência emocional (IE) é a capacidade de reconhecer as próprias emoções e as dos outros, discriminar entre sentimentos e rotulá-los adequadamente, e usar essas informações para orientar pensamentos e comportamentos.”
– Andrew Coleman, Dicionário de Psicologia
Pesquisas em diversos campos demonstram que curiosidade, criatividade, iniciativa, pensamento multidisciplinar e empatia são habilidades que redefinirão nossas crenças tradicionais sobre inteligência.
A capacidade de acolher novas informações exige flexibilidade mental, humildade e caráter.
É através da nossa habilidade de sentir e processar emoções que nossa inteligência superior floresce.
Super-Humanos
Todo fã de esportes sabe que existem pessoas com dons quase sobre-humanos. Pense em ícones como Michael Jordan, ou nos heróis dos esportes radicais que realizam o aparentemente impossível. Temos também prodígios musicais e artísticos que dominam suas artes antes dos 10 anos.
Já vimos seres humanos andarem sobre brasas, equilibrar-se entre arranha-céus, ou demonstrar foco e força de vontade incompreensíveis.
Somos capazes de coisas incríveis quando canalizamos disciplina, prática, criatividade, coragem e foco.
Mal arranhamos a superfície do que é possível.
Meditação Global
Essa prática simples de aquietar a mente e trazer presença à respiração traz uma longa lista de benefícios documentados: conexões neurais fortalecidas, sensação de bem-estar e conexão, e até mesmo melhora do sistema imunológico.
Quando essa intenção focada é compartilhada por dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo, literalmente começamos a alterar a ressonância magnética planetária.
A ciência comprova: somos seres elétricos potentes, com a capacidade de focar a consciência e criar realidades além da imaginação.
Tudo o que a tecnologia oferece é um reflexo da tecnologia que nós, seres humanos, já somos.
Alinhamento com a Terra e uns com os outros
Rir de si mesmo, acolher as emoções, e abrir-se a possibilidades além de nossas crenças atuais é essencial nesta jornada.
Para criar tecnologias alinhadas com a vida e com o planeta, precisamos antes estar alinhados com nós mesmos e entre nós. A meditação coletiva é onde praticamos isso juntos.
Não podemos mais chamar uma tecnologia de avançada se ela destrói nossos céus e rios ou perpetua guerras e dominação.
Essas são expressões de tecnologias equivocadas.
Nosso DNA carrega a sabedoria de incontáveis gerações.
É hora de voltar nosso foco consciente para a sabedoria natural dos povos originários, enquanto acolhemos a presença dos mestres espirituais iluminados.
Essa união permitirá infundir nossa ciência e nossas inovações tecnológicas com inteligência ecológica e emocional – para o bem de toda a vida.
Fonte: The Pulse – Por Jacob Devaney
Reflexão:
Vivemos um tempo de grandes transições. A tecnologia avança com velocidade vertiginosa, transformando nossos corpos, nossas casas e nossas relações. Mas em meio à corrida digital, uma pergunta ecoa nos corações atentos: de que forma estamos evoluindo como consciência?
O texto de Jacob Devaney nos lembra que a verdadeira inovação nasce do equilíbrio entre ciência e sabedoria ancestral. O futuro não pode ser construído apenas por chips, códigos e algoritmos. Ele precisa ser sonhado, sentido e enraizado nas práticas que sustentaram a vida por milênios – aquelas que escutam a Terra, honram o invisível e reconhecem o sagrado em tudo o que vive.
No xamanismo, toda tecnologia começa dentro. Antes de criar ferramentas externas, aprendemos a nos mover com as forças da natureza, a escutar os ritmos do corpo, a sonhar com o coletivo e a dialogar com os elementos. A medicina da floresta, por exemplo, é uma bioengenharia espiritual ancestral: uma forma de tecnologia da consciência que desperta, regenera e integra.
Assim como os povos originários reverenciam o fogo – a primeira grande ferramenta humana – precisamos reverenciar a centelha da consciência que nos habita, para que a tecnologia que criamos sirva à vida e não a destrua. Cada drone, cada inteligência artificial, cada nanorrobô precisa carregar em sua essência o mesmo propósito de uma pena de águia: servir ao equilíbrio do todo.
A regeneração verdadeira exige reconexão com a Mãe Terra e com os ciclos naturais. A tecnologia biomimética, que observa e replica a inteligência da natureza, é um passo nesse caminho. Mas para que ela floresça de forma íntegra, precisa andar de mãos dadas com o coração sábio dos anciãos e das anciãs, com os cantos dos pajés, com os silêncios da floresta e com as lágrimas das águas.
Como humanidade, estamos sendo convidados a integrar o tambor e o chip, a cerimônia e o laboratório, a intuição e o dado. Esse é o caminho da evolução consciente: uma dança cósmica entre espírito e matéria, onde o sagrado e o tecnológico se entrelaçam.
A verdadeira inovação é aquela que cura. E a verdadeira cura é aquela que nos lembra que somos parte de tudo.