O Xamanismo e o Medo da Crítica

Quando a Identidade Depende do Olhar do Outro.

O medo da crítica é uma das manifestações mais sutis — e mais poderosas — do ego.
Ele nasce da identificação com a imagem que construímos sobre nós mesmos e da necessidade constante de aprovação externa.
Não é a crítica que dói.
É o apego à identidade que construímos.

A Ilusão de que Nosso Valor Depende do Outro:
O medo da crítica surge quando acreditamos que nosso valor depende do que os outros pensam.
O ego vive de aprovação.
Ele se fortalece quando é validado e se sente ameaçado quando é rejeitado.
Por isso, a crítica é percebida como um ataque à identidade egóica.
Como se alguém estivesse tentando desmontar a imagem que criamos de quem “somos” ou “deveríamos ser”.
Mas há uma pergunta essencial aqui:

Quem é que está sendo ameaçado?
A Autoimagem como Construção Mental
O ego constrói uma autoimagem — uma ideia mental de quem você acha que é ou deveria ser.
Quando alguém critica você, essa imagem é ameaçada.
E então surgem reações automáticas:
• defensividade
• raiva
• vergonha
• necessidade de justificar-se
Mas isso só acontece se você estiver identificado com essa imagem.

A Crítica Só Fere Quando Acreditamos Nela:
Um dos ensinamentos centrais desse tema é:
Nada que é dito sobre você é quem você realmente é.
Se você está ancorado no Ser, a crítica não define sua identidade. Ela passa por você, mas não se fixa.
É possível ouvir uma crítica sem reagir.
Sem absorver.
Sem criar uma história em torno dela.
Isso é liberdade.

O Medo da Crítica é Resistência:
Quando vivemos com medo da crítica, estamos projetados no futuro, tentando controlar a percepção alheia.
Tentamos:
• agradar
• ajustar comportamentos
• controlar narrativas
• evitar exposição
Isso nos coloca em um estado constante de vigilância.
Mas esse controle é uma ilusão.
Você nunca poderá controlar completamente o que os outros pensam.
E tentar fazer isso é um esforço exaustivo.

O Único Lugar Seguro é o Agora:
As tradições ancestrais ensinam que o único lugar seguro é o agora — onde você não precisa ser nada além do que é.
No presente, não existe julgamento.
Existe experiência.
Quando você está presente:
• a mente desacelera
• a necessidade de aprovação diminui
• a identidade se dissolve
• a consciência emerge

Além do Julgamento:
A verdadeira liberdade está em ir além do julgamento.
Você não precisa que os outros pensem bem de você para estar em paz.
A consciência não precisa se defender.
Ela é:
• silenciosa
• firme
• presente

Quando você se reconhece como essa consciência, as opiniões dos outros deixam de ter poder sobre sua identidade.

A Medicina Ancestral da Escuta Interior:
Na sabedoria xamânica, quando alguém é criticado, a orientação não é reagir — é observar.
Pergunte-se:
• Estou defendendo uma imagem?
• Estou tentando preservar uma identidade?
• Existe algo verdadeiro nessa crítica que pode me ajudar a crescer?
Quando a crítica é observada sem resistência, ela perde seu poder destrutivo e pode se tornar ferramenta de evolução.

A Libertação da Aprovação:
O medo da crítica é, na verdade, medo da rejeição.
E por trás dele está a necessidade de aprovação.
Mas quando você se liberta da necessidade de ser aprovado, algo muda profundamente:
• você fala com mais autenticidade
• age com mais verdade
• vive com mais leveza
Como diz o ensinamento:
Quando você se liberta da necessidade de aprovação, a crítica perde o poder de te ferir.

Reflexão Final:
Talvez o verdadeiro caminho não seja evitar a crítica,
mas deixar de precisar da aprovação.
Quando você descobre quem é além das opiniões,
a liberdade começa.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando a Identidade Depende do Olhar do Outro.
Carlos Fernandes

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