O Xamanismo e o Dominador

Quando o Ego Confunde Poder com Controle.

Na sabedoria ancestral do xamanismo, o desejo de dominar não é visto como força, mas como sintoma de desconexão interior. O comportamento dominador nasce quando o ser humano perde contato com sua própria presença e tenta compensar esse vazio controlando o mundo ao redor.

Uma pessoa dominadora é aquela que busca exercer poder excessivo sobre os outros — impondo vontades, opiniões e decisões — muitas vezes sem escuta, flexibilidade ou sensibilidade.

Esse padrão pode se manifestar nos relacionamentos afetivos, no ambiente profissional, na família e até em contextos espirituais.
Paradoxalmente, quem tenta dominar os outros acaba sendo dominado pela própria vida.

O Ego por Trás da Dominação:
Para o xamanismo, toda dominação é expressão de um ego inconsciente. O ego precisa se sentir superior para sustentar sua identidade frágil. Dominar, controlar e impor tornam-se estratégias para evitar o contato com o vazio interior.
Dominar é uma tentativa de reforçar o “eu”.
Mas quanto mais o ego controla, mais revela sua fragilidade.
O dominador não age a partir de força real, mas de medo, insegurança e traumas não reconhecidos.

Controle como Defesa Inconsciente:
A necessidade de controle revela um medo profundo: o medo de perder a estrutura do “eu”.
O ego:
• não tolera incertezas
• precisa que o mundo esteja “do jeito que ele quer”
• teme o imprevisível da vida
Controlar pessoas, situações e resultados é uma tentativa desesperada de manter a falsa identidade em pé.
Mas a vida não pode ser controlada.
Ela pode apenas ser vivida com presença.

Dominação é Ausência de Presença:
Um princípio central da sabedoria ancestral é este:
quando estamos verdadeiramente presentes, não precisamos dominar nada.
A dominação surge da ausência de presença. Quando o indivíduo está identificado com a mente, com papéis e com imagens, ele deixa de sentir o outro como um ser vivo e passa a tratá-lo como objeto, função ou extensão de si mesmo.
O dominador não escuta.
Ele usa.

Relações de Poder e Ciclos de Inconsciência:
O xamanismo também reconhece que relações dominadoras raramente são unilaterais. Muitas vezes, quem é dominado carrega padrões inconscientes de submissão, medo de rejeição, culpa ou necessidade de aprovação.
Assim, formam-se ciclos de inconsciência, onde:
• um tenta controlar
• o outro evita confrontar
• ambos se afastam da presença
Enquanto o ciclo não é visto, ele se repete.

O Poder Verdadeiro:
As tradições ancestrais fazem uma distinção clara entre poder do ego e poder do Ser.
O poder do ego é:
• sobre o outro
• baseado no medo
• sustentado pelo controle

O poder do Ser é:
• interior
• silencioso
• baseado na presença
O poder verdadeiro não é dominar,
é ser.
Quando você está ancorado na presença, não entra no jogo do poder. Você não reage com medo nem com agressividade. Você permanece íntegro.

Ver a Dor por Trás do Controle:
A presença permite enxergar algo essencial:
por trás da tentativa de controle, há dor.
O dominador não conhece ainda o poder silencioso do agora. Ele tenta controlar fora porque perdeu o contato com o centro interno.
Quando você vê isso com clareza:
• não se submete
• não reage com violência
• não entra no jogo
Você responde com firmeza consciente.

A Cura do Jogo do Dominador:
Para o xamanismo, a cura acontece quando uma das partes desperta. Basta que um dos envolvidos saia da reação automática e comece a agir com presença, clareza e não-reação.
Isso quebra o ciclo.
A presença dissolve o jogo do poder.
O ego perde alimento quando não encontra oposição nem submissão.

O Ensinamento Final:
A sabedoria ancestral do xamanismo nos lembra:
Controlar é sinal de medo.
Dominar é sinal de desconexão.
Presença é sinal de poder verdadeiro.

Quem precisa dominar ainda não descobriu
a força silenciosa de simplesmente ser.

Quando o ego relaxa,
o controle cai.
E onde o controle cai,
a consciência se estabelece.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando o Ego Confunde Poder com Controle.
Carlos Fernandes