O Xamanismo e a Vaidade
Quando o Valor se Perde na Forma e a Essência Silencia.
A Vaidade é uma manifestação sutil — e ao mesmo tempo intensa — do ego.
Ela nasce do apego à forma, ao corpo, à aparência, ao status, aos títulos, aos papéis sociais.
É o ego tentando se fortalecer através do olhar do outro, acreditando que o valor está no que pode ser visto, admirado ou desejado.
No entanto, para a visão xamânica ancestral, tudo o que é forma é transitório.
Os povos nativos sempre ensinaram que:
“A verdadeira luz não está na pele, mas no espírito.”
A aparência, para a consciência indígena, nunca foi medida de valor.
O brilho que importa não é o brilho dos adornos, mas o brilho da presença — aquele que nasce dentro, que não depende de aprovação e que nenhuma maquiagem pode produzir.
A Raiz da Vaidade: Apego e Desconexão
A vaidade surge quando o ego se identifica com o corpo e cria uma falsa narrativa:
“Meu valor é aquilo que os outros veem em mim.”
Essa crença gera esforço, competição, comparação — e, silenciosamente, medo:
medo de não ser admirado, medo de envelhecer, medo de perder a forma, medo de ser apenas quem se é.
Quando estamos desconectados da nossa presença, buscamos no outro o reflexo que não encontramos em nós.
Mas quando a luz da consciência desperta, algo muda.
Percebemos que:
O valor real não está no rosto, mas na consciência viva que olha através dele.
Não está na aparência, mas na inteireza.
Da Vaidade à Presença:
Quando uma pessoa começa a se conectar com o estado de presença, a vaidade naturalmente perde força.
Porque a consciência não precisa ser admirada — ela apenas é.
Um rosto presente tem uma luz que não vem da forma, mas do Ser.
E essa luz é perceptível… silenciosa, natural, radiante.
A vaidade se dissolve quando o coração descansa no que é verdadeiro.
Práticas de Desidentificação da Forma:
A seguir, algumas frases que podem ser usadas como prática diária para dissolver a vaidade e fortalecer a presença:
• Estou aberto a aprender com os outros e aceito que não sei tudo.
• Não sou o melhor e não preciso ser.
• Não preciso agradar os outros.
• Não preciso ser bonzinho.
• Mostro a minha verdade, doa a quem doer.
• Não preciso que gostem de mim.
• Me liberto dos outros para viver a liberdade de ser plenamente quem eu sou.
Essas afirmações são pequenas chaves que abrem portas internas.
O Caminho da Verdadeira Beleza:
Na jornada da consciência, a beleza não está no que se mostra, mas no que se sente.
A beleza é presença, verdade, autenticidade, simplicidade, coragem.
É o brilho da alma que se revela quando o ego perde o controle.
A vaidade cai, como uma casca antiga.
A essência aparece, como um sol interno que sempre esteve ali.
Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Vaidade – Quando o Valor se Perde na Forma e a Essência Silencia.
Carlos Fernandes


