O Xamanismo e a Inveja

Quando a Comparação Nos Afasta do Agora.

A inveja surge quando o ego se compara com os outros e sente que está em desvantagem.
Ela reforça sentimentos de carência, inferioridade ou injustiça.
Mas, sob a lente da sabedoria ancestral, a inveja não é apenas uma emoção — é um sinal de desconexão da própria essência.
Ela revela um ego insatisfeito.

Inveja: Reflexo do Ego que se Compara:
A inveja é produto direto da comparação.
E toda comparação nasce do ego.
O ego precisa constantemente se afirmar.
Ele mede, avalia, classifica, disputa.
Quando vê alguém com mais sucesso, beleza, reconhecimento, bens ou visibilidade, sente-se diminuído.
E dessa sensação nasce a inveja.
Mas a comparação é sempre parcial e ilusória.
Ela ignora a totalidade da vida de cada ser.

A Ilusão da Separação:
A inveja só existe quando acreditamos que o outro está separado de nós.
Na visão xamânica, essa é uma grande ilusão.
O verdadeiro Ser não compete.
Ele sabe que a essência é uma só.
Ele reconhece que cada pessoa está vivendo sua própria jornada.
Quando vivemos na lógica do “eu versus eles”, fortalecemos a sensação de escassez.
Mas quando reconhecemos que fazemos parte de um mesmo campo de vida, a comparação perde força.

A Mente Projetada no Tempo:
A mente que inveja está sempre projetada no tempo:
• “Eu ainda não tenho.”
• “Eu deveria ter o que ele tem.”
• “Estou atrasado.”
Isso revela um afastamento do momento presente.
A inveja é resistência ao agora.
Ela nasce quando acreditamos que o presente não é suficiente.

A Cura da Inveja Está na Presença:
A cura da inveja não está em negar o sentimento, mas em iluminá-lo com consciência.
Quando você traz a atenção para o presente, percebe que:
• o momento agora é completo
• você não está em falta
• sua jornada é única
Presença dissolve comparação.
Onde há gratidão, a inveja não sobrevive.

Da Inveja à Inspiração:
Tudo aquilo que você admira no outro pode se tornar inspiração, em vez de competição.
Se você vê beleza, talento, sucesso ou prosperidade em alguém, isso pode ser um espelho do que também é possível em você.
Mas para isso, é preciso mudar o olhar.
Em vez de pensar:
“Por que ele tem e eu não?”
Pergunte:
“O que isso desperta em mim?”
A inveja pode ser um convite à expansão — se observada com maturidade.

Aceitação Dissolve a Comparação:
A aceitação do momento presente dissolve o mecanismo da inveja.
Quando você aceita sua fase, sua jornada, seu ritmo e suas experiências, não há mais luta interna.
O ego nunca está satisfeito.
Ele sempre quer mais, melhor, diferente.
Mas o Ser simplesmente é.

A Iluminação da Consciência:
A sabedoria ancestral nos lembra:
Enquanto houver identificação com o ego, haverá comparação.
Enquanto houver comparação, haverá inveja.
Enquanto houver inveja, haverá luta.
Mas quando você se reconhece como consciência —
não como história, não como status, não como imagem —
a competição interna se desfaz.
E surge algo mais profundo:
Contentamento.

Talvez a inveja não seja sobre o outro.
Talvez ela seja um espelho apontando para partes suas que pedem reconhecimento, amor e presença.
A pergunta não é:
“Por que ele tem?”
A pergunta é:
“O que em mim ainda acredita que não é suficiente?”
Quando você volta ao agora,
descobre que nada está faltando.
E a comparação se transforma em consciência.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando a Comparação Nos Afasta do Agora.
Carlos Fernandes

Write a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *