O Xamanismo e a Insegurança

Quando o Ego Busca Fora o que Só Pode Ser Encontrado Dentro

Na sabedoria ancestral do xamanismo, a insegurança não é vista como falha de caráter, fraqueza ou erro pessoal. Ela é compreendida como um sintoma espiritual: o sinal de que a identidade foi colocada fora do lugar.

A insegurança surge quando buscamos nosso valor e nossa identidade em algo externo, instável e passageiro — aparência, status, bens materiais, reconhecimento, relacionamentos ou ideias sobre “quem eu sou”.
Tudo o que está fora muda.
Tudo o que muda não pode sustentar segurança.

A Ilusão da Forma:
As tradições ancestrais ensinam que o mundo da forma é impermanente. O corpo envelhece, as conquistas passam, as ideias mudam, a reputação oscila. Quando nos identificamos com essas formas, passamos a viver sob uma ameaça constante de perda.
Por isso, a insegurança é inevitável quando a identidade está baseada na forma.
O ego vive em alerta porque sabe, mesmo sem admitir, que aquilo em que se apoia pode ser retirado a qualquer momento.

O Ego é Inseguro por Natureza:
O ego precisa de aprovação, comparação e controle para se sentir “bem”. Ainda assim, nunca se satisfaz. Oscila entre sentimentos de superioridade e inferioridade, medo de rejeição, esquecimento ou crítica.
Nenhum desses estados é real.
São movimentos de uma identidade frágil tentando se sustentar.
O ego não busca paz — busca validação.
E validação nunca é suficiente.

A Raiz da Insegurança Está no Tempo:
A insegurança também nasce da tentativa de prever, controlar ou “adivinhar” o futuro. Quando a mente se projeta à frente, ela abandona o único lugar onde a vida acontece: o agora.
Ao tentar controlar o que ainda não existe, você se perde do presente e do seu propósito.
A mente teme o futuro.
O Ser habita o agora.

A Segurança Verdadeira:
A sabedoria ancestral aponta um caminho simples e profundo:
a verdadeira segurança não depende de circunstâncias externas.
Quando você se ancora no agora — sem tentar provar algo, sem precisar ser alguém, sem resistir ao que é — surge uma paz profunda. Essa é a segurança verdadeira, porque não pode ser retirada por ninguém.
Estar em paz com o momento presente é um território inviolável.

A Insegurança Como Chamado de Consciência:
As tradições xamânicas não tratam a insegurança como um problema a ser eliminado, mas como um mensageiro. Ela aponta para algo em nós que pede luz, presença e reconexão.
Observar a insegurança com atenção plena já inicia sua dissolução.
Você não cura a insegurança lutando contra ela, mas escutando o que ela revela.

Confiar é Maior que Controlar:
O ego acredita que controlar é sinônimo de segurança. A sabedoria ancestral ensina o oposto: confiar é mais poderoso que controlar.
Confiar não é passividade.
É coragem espiritual.
É escolher avançar sem garantias, abandonar a obsessão por controle e permitir que a vida se revele organicamente.

A insegurança nasce do medo de não controlar o futuro.
O remédio é a confiança — não no que virá, mas na sua capacidade de lidar com o que vier.

A Alma Sabe o Caminho:
Para o xamanismo, a alma conhece o caminho muito antes da mente. Quando você tenta controlar demais, se afasta dessa sabedoria interna
Soltar não é perder direção.
É permitir que a direção verdadeira emerja.
A alma não grita.
Ela sussurra no silêncio do agora.

Separando-se da Voz da Insegurança:
Um dos ensinamentos mais profundos da imagem é este:
Você não é a voz que diz “eu não sou suficiente”.
Você é a consciência que percebe essa voz.
Quando essa distinção acontece, a insegurança perde o poder de definir quem você é. Ela passa a ser apenas um movimento observado — não mais uma identidade.

O Ensinamento Final:
A sabedoria ancestral do xamanismo nos lembra:
A insegurança não é um defeito a ser corrigido.
É um convite ao retorno.
Retorno ao agora.
Retorno ao Ser.
Retorno à confiança.

Quando o ego relaxa, a segurança não é construída —
ela é lembrada.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando o Ego Busca Fora o que Só Pode Ser Encontrado Dentro
Carlos Fernandes