O Xamanismo e a Fuga

Quando o Ego se Afasta do Único Lugar Onde a Vida Acontece.

Na sabedoria ancestral do xamanismo, existe uma verdade essencial:
a vida só acontece no agora.

A fuga é um dos principais mecanismos inconscientes usados pelo ego para evitar o momento presente. Fugir não significa apenas sair fisicamente de uma situação, mas — e principalmente — fugir internamente, através de distrações, excesso de pensamento, consumo, compulsões, fantasias ou ocupações constantes.
A fuga é a recusa em viver o agora.

A Mente Condicionada e o Medo do Presente:
A mente condicionada raramente está aqui. Ela oscila entre passado e futuro, evitando o único lugar onde a transformação é possível: o presente.
A fuga se manifesta em pensamentos como:
• “Quando eu conseguir isso, aí sim serei feliz.”
• “Preciso sair daqui.”
• “Não aguento mais, preciso escapar.”
Esses pensamentos parecem soluções, mas são apenas rotas de evasão.
A fuga do agora é a raiz do sofrimento humano.

Fugir Para Não Sentir:
Um dos pontos centrais revelados pela sabedoria ancestral é que fugimos para não sentir.
Quando surge uma emoção desconfortável — tristeza, solidão, medo, tédio ou vazio — o ego imediatamente busca estímulos externos:
• redes sociais
• comida
• álcool
• trabalho excessivo
• compras
• entretenimento contínuo

A mente procura saídas porque tem medo de olhar para dentro.
Mas tudo aquilo de que fugimos continua conosco — apenas aguardando ser visto.

A Fuga Como Estratégia de Sobrevivência do Ego:
O ego acredita que sentir plenamente é perigoso. Ele associa o sentir à perda de controle. Por isso, mantém a pessoa ocupada, distraída e fragmentada.
A fuga cria uma vida superficial, ansiosa e acelerada.
Ela impede o silêncio.
E o silêncio é onde a verdade emerge.
Para o xamanismo, fugir é afastar-se da própria alma.

A Presença Como Fim da Fuga:
A sabedoria ancestral é clara: A presença é o fim da fuga.
O momento presente pode conter dor, mas nele também existem espaço, consciência e uma paz profunda. Estar presente com o que é — sem tentar escapar — permite que o sofrimento se transforme em consciência.
Isso é o que as tradições chamam de transmutação.
Não é o sentimento que dói.
É a resistência ao sentimento.

O Que Você Resiste, Persiste:
Um ensinamento universal do xamanismo afirma:
O que você resiste, persiste.
O que você aceita, se transforma.
Enquanto fugimos, o padrão se fortalece.
Quando permanecemos presentes, ele perde força.
A cura não acontece pela fuga da dor, mas pela presença amorosa com ela.

A Fuga Nos Aprisiona — A Presença Liberta:
Fugir do agora nos aprisiona em ciclos repetitivos de ansiedade e insatisfação. A entrega ao presente — mesmo quando ele não é confortável — nos devolve a plenitude do Ser.
A presença não exige que você goste do que sente.
Exige apenas que você esteja aqui.
Quando você para de fugir:
• a mente desacelera
• o corpo relaxa
• a emoção se move
• a consciência se expande

O Agora Como Portal Ancestral:
Para as tradições xamânicas, o agora não é apenas um instante — é um portal espiritual. É nele que o espírito fala, que o corpo ensina e que a alma se revela.
Toda fuga é do agora.
Mas o agora é tudo o que você tem.
E tudo o que você precisa para se libertar.

O Convite Final da Sabedoria Ancestral:
O xamanismo não convida a escapar da vida, mas a habitá-la por inteiro.
Quando você para de fugir:
• o ego relaxa
• a identidade se dissolve
• o Ser emerge
Não há libertação fora do agora.
Não há cura fora da presença.

A fuga sustenta o ego.
A presença revela quem você sempre foi.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando o Ego se Afasta do Único Lugar Onde a Vida Acontece.
Carlos Fernandes