O Xamanismo e a Ansiedade
Quando a Mente Abandona o Agora.
Na visão da sabedoria ancestral, a ansiedade não é um inimigo a ser combatido, mas um mensageiro da consciência. Ela surge sempre que a mente se afasta do único lugar onde a vida realmente acontece: o momento presente.
A ansiedade é um sintoma claro de desconexão do agora.
Ela não nasce do que está acontecendo — mas do que a mente imagina que pode acontecer.
A Mente Projetada no Futuro:
O ego vive do tempo psicológico. Ele se projeta no futuro criando cenários, preocupações e ameaças que ainda não existem — e que, na maioria das vezes, jamais existirão.
Enquanto isso:
• o corpo permanece no presente
• a mente corre à frente
• a consciência se fragmenta
Essa divisão interna cria tensão, desconforto e inquietação. Esse estado é o que chamamos de ansiedade.
Ansiedade e Identidade:
A ansiedade está profundamente ligada à identidade egóica. O ego precisa de controle, previsibilidade e garantias para se sentir seguro.
Quando a pessoa está identificada com o ego, qualquer incerteza é percebida como ameaça. O ego acredita que, se antecipar, prever ou se preocupar o suficiente, estará protegido.
Mas essa é uma ilusão.
A preocupação constante não traz segurança — apenas sustenta o sofrimento.
Ansiedade como Resistência ao Agora:
Na linguagem xamânica, ansiedade é resistência.
É o não consentimento com o momento presente.
A mente diz:
“Isso não deveria estar acontecendo.”
“Preciso garantir que nada dê errado.”
“E se algo ruim acontecer?”
O corpo, porém, está aqui.
Respirando.
Presente.
Essa incoerência entre mente e corpo alimenta o ciclo da ansiedade.
O Medo do Irreal:
Um dos ensinamentos mais claros da imagem é este:
Você não está ansioso pelo que está acontecendo agora, mas pelo que acha que pode acontecer.
A mente gera medo ao imaginar o que não é real. Ela vive de antecipar, prever e controlar. Esse condicionamento mental cria uma sensação constante de alerta.
O ego acredita que viver em estado de vigilância é sinal de inteligência.
Na verdade, é sinal de desconexão da vida.
A Ansiedade como Convite à Presença:
As tradições ancestrais não tentam “resolver” a ansiedade mentalmente. Elas ensinam a retornar ao corpo e à presença.
A ansiedade é um convite direto ao agora.
Quando a atenção retorna:
• à respiração
• às sensações
• ao corpo
• aos sentidos
o ciclo mental se interrompe, e a consciência volta para a realidade presente — onde, quase sempre, não há ameaça real.
O Ego e o Medo da Incerteza:
O ego teme a incerteza. Ele quer garantias. Mas a vida é mudança, fluxo e impermanência.
Quando aceitamos que a vida não pode ser controlada, algo profundo relaxa dentro de nós. A ansiedade começa a perder força não porque o futuro ficou seguro, mas porque o agora foi aceito.
A verdadeira paz não nasce da segurança.
Ela nasce da rendição consciente ao que é.
A Dissolução da Ansiedade:
A ansiedade começa a desaparecer quando a necessidade de saber o que vai acontecer se dissolve.
Quando você não precisa mais controlar o futuro,
o presente se torna suficiente.
E nesse espaço:
• o corpo relaxa
• a mente desacelera
• a consciência se amplia
A sabedoria ancestral do xamanismo nos deixa um ensinamento simples e profundo:
A ansiedade não pede controle.
Ela pede presença.
Você não precisa saber o que vai acontecer.
Você precisa estar aqui.
Quando o agora é habitado,
o futuro perde seu poder.
E a paz retorna —
não como garantia,
mas como confiança na vida.
Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando a Mente Abandona o Agora.
Carlos Fernandes


