A Aurora do Terceiro Milênio apresentou um dilema para à humanidade. Será que a habilidade que caracterizou nossa espécie e impulsionou seu desenvolvimento continua a nos sustentar ou será que a competição por poder e recursos levará a uma escalada dos conflitos e à nossa extinção final?

Até recentemente, as percepções mais profundas, aguçadas e esclarecedoras que nos permitiam rever nossos conceitos diante dos atuais desafios com que nos defrontamos permaneciam no domínio de acadêmicos e de Think thanks. Os outros 7 Bilhões de nós neste planeta continuavam a tão somente “seguir vivendo”, entre extremos que variam da subsistência na pobreza à entrega a um consumismo desenfreado e a uma cultura do desperdício. Por toda a parte, as massas não tinham razão para se preocupar com os maiores problemas do planeta. Foi isso que começou a mudar.

O tique-taque ascendente na consciência em nosso planeta acontece neste momento, independentemente do lugar e do chamado. As massas têm sentido coisas que elas mal conseguem articular.

Ao acompanhar o movimento em direção à democratização do mundo, testemunhamos uma tendência rumo a globalização e ao multiculturalismo. Dos 7 bilhões de pessoas  no mundo, pelo menos 70% acreditam que a globalização é inevitável. Em âmbito mundial, mais de 60% acreditam que a compreensão  mútua e o multiculturalismo serão importantes para tornar essa transição suave ao nosso planeta.

A grande questão consiste em saber se a era global que está despontando será favorável e bondosa para as massas humanas mundiais ou se tomará a forma da tirania econômica, aumentando ainda mais o insustentável consumismo descontrolado que impulsiona a riqueza apenas de alguns. Será que ela promoverá um clima de cuidado em relação aos recursos do mundo ou de lucro sob a rubrica “crescer, crescer, crescer”? A não ser que sejamos capazes de reconhecer que somos um único povo, sem dúvida terminaremos com uma catástrofe da qual  nem mesmo a elite mundial estará livre.

O problema é como criar um senso de identidade maior dos que “meus interesses”, “minha nação”, minha religião”, “meu grupo étnico”. Uma visão holística centralizada no mundo seria uma obrigação difícil de ser suportada para a maior parte das pessoas. No entanto, para a nossa geração, expressões como “transnacional”, “transcultural” e “transtradicional”estão se tornando o chamado emocionante encorajador que nos convoca para a ação.

A palavra “interespiritualidade” foi cunhada em 1999, pelo monge leigo católico romano, e líder interconfecional pioneiro, Irmão Wayne Teasdale, no livro The Mystic Heart: Discovering a Universal Spirituality in the World Religion. Por volta de 2004, esta nova perspectiva foi introduzida no Parlamento Mundial das Religiões, em Barcelona na Espanha.

É obvio para muitas pessoas que a Interespiritualidade – uma experiência mais universal das religiões do mundo, com ênfase nas experiências compartilhadas do coração, bem como no compartilhamento da consciência da unidade – representa parte do movimento progressivo do mundo em direção à globalização e ao multiculturalismo. Ele pode ser considerada como uma resposta inevitável à globalização – seja bem-vinda, como no caso dos defensores de uma cultura mundial e de um sistema econômico planetário em processo de desdobramento, ou repelida por fundamentalistas religiosos ou paroquialistas de mente estreita de todos os tipos, incluindo terroristas.

O Irmão Teasdale predisse que a interespiritualidade iria se tornar a visão espiritual global da nossa era:

“Pode-se dizer que a verdadeira religião da humanidade é a própria espiritualidade, pois a espiritualidade mística é a origem de todas as religiões do mundo. É se é assim, e nós acreditamos que seja, poderíamos também dizer que a interespiritualidade – o compartilhamento de experiências supremas, transmitidas de uma tradição para a outra – é a religião do terceiro milênio. A interespiritualidade é o fundamento que pode preparar o caminho para a cultura iluminada de âmbito planetário, e uma comunidade cujo vigor permanece incessante entre as religiões, uma comunidade substancial, vital e criativa”

Fonte: A Chegada da Era Interespiritual – Kurt Johnson e David Robert Ord.