Como existe certo grau de presença, isto é, de atenção silenciosa e permanente nas percepções humanas, nossa espécie tem a faculdade de sentir a essência vital divina, a consciência, ou o espírito imutável, que há em todas as criaturas, em todas as formas de vida, reconhecendo-a como compatível com a nossa própria essência. Por isso somos capazes de amá-la como a nós mesmos. Até que isso aconteça, contudo, a maioria das pessoas vê apenas a formas exteriores, não atentando para a essência interior, da mesma maneira como não percebe sua própria essência e se identifica somente com sua forma física e psicológica.

Estará a humanidade pronta para a transformação da consciência. Seremos capazes de perder a densidade das nossas estruturas mentais. Conseguiremos desafiar a atração gravitacional do materialismo e da materialidade e permanecer acima da identificação com a forma, que mantém o ego imóvel e nos condena à prisão dentro da nossa própria personalidade?

A  possibilidade de ocorrer uma transformação desse tipo tem sido a essência dos ensinamentos de grande sabedoria da humanidade, como os mensageiros – Buda, Jesus e outros, nem todos conhecidos. Estaria a humanidade mais preparada agora do que na época dos primeiros mestres? Por que se poderia esperar isso? O que você pode fazer, se é que pode, para produzir ou apressar essa mudança interna? O que caracteriza o antigo estado egóico da consciência e quais sinais nos permitem reconhecer a nova consciência que está surgindo? Quais são os pontos de referência em direção ao despertar?

Um ponto essencial do despertar é a identificação daquela parte em nós que ainda não se modificou, o ego da maneira como ele pensa, fala e age, assim como o reconhecimento do processo mental condicionado coletivamente que perpetua esse estado não desperto. Mostrar os aspectos principais do ego e como eles se manifestam no plano individual e coletivo. Isso é importante por dois motivos que se inter-relacionam. O primeiro deles é: a menos que conheça o mecanismo básico por de trás do funcionamento do ego, você não o detectará, e ele irá enganá-lo. impedindo que o reconheça todas as vezes que tentar. Isso mostra que ele o domina – é um impostor fingindo ser você. O segundo motivo é que o ato do reconhecimento é em si uma das maneiras pelas quais acontece o despertar. Quando você descobre a inconsciência em si próprio, aquilo que torna o reconhecimento possível é o surgimento da consciência, é o despertar. Você não pode lutar contra o ego e vencer, assim como não consegue combater a escuridão. A luz da consciência é tudo o que é necessário. Você é a luz.

Fonte: Um Novo Mundo – O despertar de uma nova consciência – Eckhart Tolle.