A Roda da Cura no Xamanismo
A vida nunca foi feita para permanecer estática.
Na visão ancestral dos povos originários, tudo se move, tudo gira, tudo retorna. A Roda da Cura, sétima Carta do Caminho Sagrado, nos lembra de uma verdade simples e, ao mesmo tempo, profundamente esquecida pela alma contemporânea: existir é participar de ciclos.
Nada na natureza caminha em linha reta. As estações mudam, o dia cede lugar à noite, a lua cresce e mingua, o nascimento se encontra com a morte, que por sua vez abre espaço para um novo começo. A Roda nos ensina que cura não é um ponto de chegada, mas um processo contínuo de movimento, aprendizado e renovação.
A Sabedoria Ancestral dos Ciclos:
Para as tradições xamânicas, a Roda representa o fluxo da vida em sua totalidade. Cada direção, cada estação, cada fase carrega um ensinamento específico. Não há partes “melhores” ou “piores” — há apenas momentos diferentes, todos necessários.
A sabedoria ancestral nos ensina que:
• Crescer exige pausa
• Avançar exige recolhimento
• Florescer exige morte do que já não serve
• Curar exige atravessar o que dói
Quando resistimos aos ciclos, criamos sofrimento. Quando honramos o movimento natural da vida, criamos harmonia.
O Conflito da Alma Contemporânea:
Na sociedade moderna, fomos condicionados a acreditar que deveríamos estar sempre produzindo, sempre avançando, sempre fortes. Não nos ensinaram a parar, a sentir, a esperar, a encerrar ciclos.
A alma contemporânea sofre porque:
• Tenta manter fases que já se completaram
• Vive em constante negação do descanso
• Interpreta o recolhimento como fracasso
• Confunde estagnação com pausa sagrada
A Roda da Cura surge como um lembrete poderoso: não existe evolução sem movimento consciente entre expansão e recolhimento.
Cura é Movimento, Não Imobilidade:
Na visão xamânica, adoecer muitas vezes significa ficar preso — a uma dor, a uma história, a uma identidade antiga. Curar é permitir que a energia volte a circular.
Movimento não significa apenas ação externa.
Significa:
• Mudar a forma de olhar
• Permitir-se sentir
• Aceitar encerramentos
• Reposicionar-se internamente
Quando nos movemos em alinhamento com os ciclos da vida, a cura acontece naturalmente, como consequência, não como imposição.
A Roda como Espelho da Jornada Interior:
A Roda da Cura também nos ensina sobre responsabilidade espiritual. Cada ciclo traz lições que, se não integradas, tendem a se repetir. A vida gira até que aprendamos.
Perguntas que a Roda nos convida a fazer:
• Em que fase da minha vida estou agora?
• O que precisa ser encerrado com gratidão?
• Onde estou resistindo ao movimento natural?
• O que a vida está tentando me ensinar neste ciclo?
Responder a essas perguntas é um ato profundo de autoconsciência e maturidade espiritual.
Integrando a Roda da Cura na Vida Moderna:
Trazer a sabedoria da Roda para o cotidiano não exige isolamento nem rituais complexos. Exige presença, escuta e respeito aos próprios ritmos.
Práticas simples de integração:
• Honrar seus períodos de descanso sem culpa
• Observar seus ciclos emocionais e energéticos
• Aceitar que nem todos os dias são de expansão
• Celebrar encerramentos como parte da cura
• Confiar que cada fase tem um propósito
Quando vivemos em sintonia com os ciclos, deixamos de lutar contra a vida e passamos a dançar com ela.
A Cura Como Caminho, Não Como Destino:
A Roda da Cura nos devolve à humildade. Não estamos aqui para controlar a vida, mas para participar conscientemente dela. Cada volta da Roda aprofunda nossa sabedoria, amplia nossa consciência e nos aproxima do que realmente somos.
A verdadeira cura acontece quando reconhecemos que:
• Tudo passa
• Tudo retorna
• Tudo ensina
E que, no centro da Roda, existe um ponto de equilíbrio — o lugar do observador consciente, aquele que aprende a confiar no movimento da vida.
Sabedoria Ancestral para a Alma Contemporânea
Roda da Cura – Ciclos / Movimento
Carlos Fernandes


