O Xamanismo e o Perfeccionista

Quando o Ego Disfarça Resistência de Excelência.

Na sabedoria ancestral do xamanismo, a busca pela perfeição não é sinal de evolução espiritual. Ao contrário: ela costuma revelar uma resistência profunda ao momento presente e uma dificuldade em aceitar a vida — e a si mesmo — como é.
O perfeccionismo é uma expressão refinada do ego disfarçada de excelência. Na superfície, parece cuidado, zelo e qualidade. Por trás, geralmente existe medo, controle e uma não aceitação do agora como suficiente.
O ego diz:
“Ainda não está bom.”
“Ainda não sou o bastante.”
“Só posso relaxar quando tudo estiver certo.”
Essa voz nunca se cala.

Perfeccionismo: Resistência Disfarçada:
As tradições ancestrais ensinam que toda resistência gera sofrimento. O perfeccionismo nasce exatamente dessa resistência: a incapacidade de aceitar o agora como ele se apresenta.
O ego exige perfeição.
O Ser apenas flui.
Enquanto o ego está sempre projetado no “depois”, o Ser vive no agora — e por isso é pleno.
A busca constante por melhorar tudo cria tensão, ansiedade e frustração, porque a mente nunca considera o momento atual suficiente.

O Valor Pessoal Condicionado:
O perfeccionista costuma associar seu valor pessoal ao resultado, à aparência ou à aprovação externa. Assim, a identidade passa a depender do desempenho.
Mas a sabedoria ancestral é clara:
o Ser não precisa ser perfeito para ser valioso — ele simplesmente é.
Quando o valor pessoal depende do resultado, a vida se transforma em prova constante. Não há descanso. Não há presença.

O Roubo da Alegria:
Um dos efeitos mais silenciosos do perfeccionismo é o roubo da alegria do momento. É possível fazer algo “perfeito” tecnicamente, mas completamente ausente de presença.
Quando estamos obcecados com o resultado, perdemos a vida que acontece no processo.
A verdadeira maestria não vem da perfeição da forma, mas da presença plena na ação. A energia com que algo é feito importa mais do que a aparência final.

A Ilusão da Perfeição Futura:
As imagens trazem um ensinamento essencial:
A perfeição verdadeira está no agora, não no produto final.
O agora é completo.
Ele não precisa ser corrigido.
A perfeição não é um objetivo futuro — ela é a totalidade do instante presente, com tudo o que ele contém, inclusive falhas, erros e imperfeições.
Quando aceitamos isso, deixamos de lutar contra a vida e começamos a dançar com ela.
A Recusa Inconsciente de Ser Quem Você Já É:
O perfeccionismo carrega uma recusa silenciosa:
a recusa de ser quem você já é — aqui e agora.
“Ninguém estava pronto quando começou.”
Essa frase ecoa profundamente na sabedoria ancestral. O caminho se faz caminhando. O aprendizado nasce do erro. A maturidade surge da experiência — não da tentativa de acertar tudo antes.

A Beleza da Imperfeição:
Para o xamanismo, a imperfeição não é defeito — é expressão viva da natureza. Nada na vida cresce em linha reta. Nada é simétrico o tempo todo. Ainda assim, tudo é belo.
A imperfeição é orgânica.
A perfeição rígida é artificial.
Quando apreciamos a imperfeição, algo relaxa internamente. A comparação cessa. A autoexigência perde força.

Viver o Agora como Antídoto:
O perfeccionismo está quase sempre ligado:
• a preocupações futuras
• a críticas passadas
• a medo de errar

Viver o agora dissolve essa prisão mental. A presença reduz a ansiedade e a pressão de ser perfeito.
A prática que leva ao aperfeiçoamento começa com estar presente e aprender com o caminho — não com a exigência de controle absoluto.
A sabedoria ancestral do xamanismo nos oferece um fechamento simples e libertador:
Você não precisa ser perfeito.
Você precisa estar presente.
Quando o ego solta a exigência,
o Ser emerge.
E quando o Ser emerge,
tudo se torna mais inteiro — mesmo imperfeito.

A verdadeira paz não nasce da perfeição.
Ela nasce da aceitação consciente do agora.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando o Ego Disfarça Resistência de Excelência.
Carlos Fernandes

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