O Xamanismo e o Controlador
Quando o Medo se Disfarça de Organização.
Nas tradições ancestrais do xamanismo, o impulso de controlar não é interpretado como responsabilidade ou competência, mas como sinal de medo não reconhecido.
O controlador vive em constante vigilância porque acredita, ainda que inconscientemente, que se não estiver no comando, algo ruim acontecerá.
Esse padrão se manifesta como necessidade constante de controlar situações, pessoas ou resultados. É uma das expressões mais fortes do ego inconsciente, alimentada por medo, insegurança e pela ilusão de separação.
O ego controlador não confia na vida.
Nem nos outros.
Nem no fluxo natural das coisas.
A Raiz do Controle é o Medo:
A necessidade de controlar nasce de um estado interno de carência e insegurança. O ego vive em alerta porque não se sente sustentado pela existência. Por isso, tenta sustentar a si mesmo através do controle.
Controlar é tentar garantir segurança no futuro.
Mas o futuro não existe — apenas o agora.
Quando o ego acredita que só estará seguro se tudo estiver sob controle, ele cria tensão constante e sofrimento contínuo.
Controlar é Resistir à Realidade:
O xamanismo ensina que o sofrimento surge quando resistimos ao que é. O controlador vê o momento presente como um obstáculo, algo que precisa ser moldado para se encaixar numa ideia mental de como tudo “deveria” ser.
Assim, ele vive:
• projetado no futuro
• preso ao passado
• ausente do agora
Esse esforço constante para moldar a vida é uma forma de resistência à realidade — e toda resistência gera sofrimento.
A Ilusão da Separação:
O controlador vive na ilusão da separação. Quanto mais identificado com o ego, mais separado da vida ele se sente. Por isso, acredita que precisa:
• proteger sua identidade
• sustentar uma imagem
• evitar vulnerabilidade
Mas tudo isso o afasta da verdade do Ser, onde não há separação entre você e a vida.
O Controle como Prisão:
A sabedoria ancestral é direta:
O controle é a prisão do ego.
A entrega é a liberdade da consciência.
Enquanto você tenta controlar, permanece preso à tensão. Quando abandona a necessidade de controlar, algo se abre: espaço, confiança, fluidez.
Entregar não é desistir.
É parar de lutar contra o fluxo da vida.
Ação sem Apego:
O xamanismo não ensina passividade. Ele ensina ação alinhada à presença. É possível agir com clareza e firmeza sem apego ao resultado.
A ação inspirada pela presença é:
• leve
• intuitiva
• fluida
Ela não nasce da ansiedade nem da manipulação, mas da escuta profunda do agora.
A Vida Não Precisa Ser Controlada:
Um dos ensinamentos mais simples e profundos da sabedoria ancestral é este:
A vida não precisa ser controlada.
Ela precisa ser reconhecida.
Reconhecer a vida como ela é dissolve a guerra interna. O controlador descobre, aos poucos, que a segurança que ele busca fora só existe dentro — na capacidade de estar em paz com o momento presente.
Entrega Não é Fraqueza:
Para o ego, entregar é perder poder.
Para o Ser, entregar é encontrar força.
A entrega verdadeira não é rendição passiva, mas força silenciosa. É confiar que você pode lidar com o que surgir, sem precisar antecipar, prever ou dominar.
A força da entrega é a força de estar inteiro no agora.
O Ensinamento Final:
A sabedoria ancestral do xamanismo nos lembra:
Controlar é tentar dominar a vida.
Confiar é caminhar com ela.
Quando o ego solta o controle,
a consciência respira.
E onde a consciência respira,
a vida flui.
A entrega não é fraqueza.
É a coragem de viver sem armaduras.
Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando o Medo se Disfarça de Organização.
Carlos Fernandes


