O Xamanismo e a Autosabotagem
Quando o Ego Impede a Travessia da Alma.
Na sabedoria ancestral do xamanismo, existe um ensinamento fundamental:
toda força que não flui corretamente se volta contra si mesma.
A autosabotagem não é fraqueza, preguiça ou falta de merecimento. Ela é um mecanismo inconsciente do ego, criado para proteger a falsa identidade da dissolução. Sempre que a vida convida a alma a expandir, mudar ou atravessar um novo limiar, o ego reage — não para ajudar, mas para manter o conhecido.
O ego prefere o sofrimento familiar ao desconhecido libertador.
O Medo da Expansão:
Diferente do que se imagina, o ego não sabota apenas o fracasso. Ele sabota, principalmente, o crescimento.
Toda vez que você se aproxima de:
• uma nova versão de si mesmo
• uma escolha mais alinhada com a alma
• um passo de maior autenticidade
• um movimento de liberdade
algo interno tenta interromper o fluxo.
Para o ego, evoluir significa morrer.
Para a alma, evoluir significa lembrar.
A Raiz Ancestral da Autosabotagem:
Na visão xamânica, a autosabotagem nasce quando a pessoa se identifica com o medo e acredita que ele é quem ela é. O ego se constrói a partir de experiências passadas, dores antigas e histórias não curadas. Ele passa então a agir como um guardião distorcido, protegendo feridas antigas como se fossem identidade.
A mente diz:
• “Não vá, você pode se machucar.”
• “Não tente, você pode falhar.”
• “Não avance, você pode perder quem você é.”
Mas o que realmente está sendo protegido não é o Ser — é a falsa identidade.
Como o Ego Sabota:
A autosabotagem se manifesta de formas sutis e repetitivas:
• Procrastinação constante
• Autocrítica excessiva
• Dúvida crônica sobre si mesmo
• Desistências no momento de avanço
• Escolhas que repetem padrões de dor
• Medo disfarçado de racionalidade
O ego cria narrativas convincentes para manter tudo como está. Ele se alimenta da estagnação porque a estagnação garante sua sobrevivência.
O Ciclo do Sofrimento Repetido:
Para o xamanismo, quando uma lição não é integrada, ela retorna em ciclos. A autosabotagem mantém a pessoa presa em rodas repetitivas de tentativa, frustração e desistência.
A vida gira até que a consciência desperte.
Por isso, muitas pessoas sentem que:
• “Sempre acontece a mesma coisa comigo.”
• “Dou um passo para frente e dois para trás.”
• “Chego perto e algo dá errado.”
Nada disso é azar.
É um chamado não ouvido.
A Ilusão do Controle:
A autosabotagem também nasce da tentativa do ego de controlar a vida. O ego acredita que, se controlar tudo, evitará a dor. Mas a vida não é controlável — ela é vivida.
A sabedoria ancestral ensina:
Quem tenta controlar o rio nunca aprende a atravessá-lo.
Quando o ego percebe que não tem controle real, cria bloqueios internos para não se expor ao fluxo da vida.
A Alma Sempre Quer Avançar:
Mesmo quando o ego resiste, a alma continua chamando. A autosabotagem gera sofrimento porque existe um conflito interno:
a alma quer crescer, o ego quer permanecer.
Esse conflito se expressa como ansiedade, culpa, confusão e cansaço espiritual.
A dor não é inimiga.
Ela é o sinal de que a alma está pronta para atravessar algo que o ego teme.
O Caminho Ancestral da Superação:
O xamanismo não combate o ego — ele o ilumina. A autosabotagem não se dissolve pela força, mas pela consciência.
Princípios ancestrais de integração:
• Observar o medo sem obedecê-lo
• Reconhecer padrões sem se identificar com eles
• Honrar a dor sem fazer dela identidade
• Aceitar o desconhecido como parte da cura
• Dar pequenos passos conscientes, mesmo com medo
Quando a consciência observa, o ego perde poder.
A Coragem do Agora:
A autosabotagem só existe no tempo psicológico — no passado que dói e no futuro que assusta. No agora, ela não sobrevive.
Quando você se ancora no presente:
• o medo diminui
• a clareza aumenta
• a ação se torna possível
O agora é o território do Ser.
A Travessia Final:
Para a sabedoria xamânica, atravessar a autosabotagem é um rito de passagem. Toda iniciação verdadeira exige que o falso eu seja confrontado.
Você não precisa eliminar o ego.
Precisa apenas não segui-lo.
A alma não pede perfeição.
Ela pede presença, coragem e movimento.
E quando o movimento acontece, o fluxo da vida retorna.
Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Quando o Ego Impede a Travessia da Alma.
Carlos Fernandes


