O Xamanismo e o Escrúpulo

O Prisma Distorcido do Certo e Errado.

A visão ancestral do Xamanismo: O peso do excesso de seriedade
Nas tradições xamânicas, o espírito ensinava aos aprendizes algo fundamental:
“Um pouco de seriedade é sabedoria.
Seriedade demais é prisão.”
O escrúpulo — o medo obsessivo de errar, pecar, falhar ou não ser “puro o suficiente” — é visto como uma armadilha espiritual.
Ele surge quando o indivíduo tenta alcançar um tipo de perfeição que não pertence ao mundo natural.
Para o xamanismo, tudo na natureza é movimento:
erramos, aprendemos, corrigimos, crescemos.
Mas o escrúpulo congela.
Ele trava a energia vital, bloqueia o fluxo criativo e impede o caminhar livre na Estrada da Beleza.

Do ponto de vista psicológico, o escrúpulo se manifesta como:
• autocobrança constante,
• medo crônico de julgamento,
• hipervigilância moral,
• culpa exagerada por pequenas falhas,
• necessidade de fazer “tudo certo”,
• dificuldade em relaxar e confiar.

Muitas vezes nasce de:
• condicionamentos familiares rígidos,
• crenças religiosas punitivas,
• traumas emocionais,
• experiências de vergonha.

No fundo, o escrúpulo é a tentativa desesperada do ego de manter controle — evitando a vulnerabilidade de simplesmente ser humano.

A vida não exige perfeição.
Isso é exigência da mente.

O escrúpulo é uma tirania interior:
uma voz que diz que nunca somos bons o suficiente, puros o suficiente, corretos o suficiente.
Mas a filosofia do Ser nos lembra:
“A consciência não precisa ser perfeita.
Ela precisa ser presente.”
O excesso de escrúpulo é, paradoxalmente, uma forma de afastamento do Ser, pois nos prende no labirinto da autoavaliação infinita.

Energeticamente, o escrúpulo pesa como uma pedra nas costas.
Ele cria:
• rigidez na coluna,
• tensão nos ombros,
• bloqueios no fluxo do prana / energia vital,
• diminuição da vitalidade,
• sensação de contração no campo energético.

Quando a pessoa se liberta do escrúpulo, sente imediatamente mais leveza, criatividade, alegria e expansão.
O escrúpulo se dissolve quando paramos de acreditar nas vozes internas que o criam.

O antídoto é consciência testemunha:
ver o pensamento sem se identificar com ele.

O xamanismo ensina que:
“O espírito fala com simplicidade.
O ego fala com cobrança.”
Quando cultivamos presença, abrimos espaço para:
• confiança,
• espontaneidade,
• fluidez,
• autoaceitação,
• ação sem medo.
A vida volta a ser movimento natural em vez de dever pesado.

Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego. – O Prisma Distorcido do Certo e Errado.

Carlos Fernandes