O Xamanismo e o Autoengano
A Máscara que nos Afasta do Ser.
A visão ancestral do xamanismo: Quando a mente cria ilusões que ofuscam o espírito.
Para as tradições xamânicas, o Ser verdadeiro é simples, presente e transparente como o vento.
O ego, porém, cria véus — imagens distorcidas que colocamos entre nós e a realidade.
O autoengano é um desses véus.
É a ilusão construída pela mente inferior, aquela que teme ver-se como realmente é.
Em diversas linhagens nativas, diz-se que quando a pessoa se afasta do seu centro espiritual, ela começa a viver numa “névoa de si mesma”.
Nessa névoa, torna-se fácil confundir orgulho com força, opinião com verdade, defesa com identidade.
O autoengano é o território onde o Ser deixa de guiar, e quem assume é a imagem mental — uma máscara que precisa ser continuamente alimentada.
Psicologicamente, o autoengano é o mecanismo pelo qual:
• distorcemos fatos para preservar a autoimagem,
• evitamos olhar para feridas que doem,
• mantemos crenças antigas mesmo quando já não servem,
• criamos racionalizações para justificar comportamentos que revelam medo, orgulho ou insegurança.
O autoengano funciona como uma “blindagem interna” que protege o ego da dor de reconhecer sua fragilidade.
Mas essa proteção tem um custo:
Ela impede crescimento, bloqueia intimidade real, e congela a consciência em ciclos repetitivos de defesa.
O autoengano é, antes de tudo, um afastamento do real.
E toda vez que nos afastamos do real, nos afastamos de nós mesmos.
A filosofia do Ser — contemplativa, profunda, silenciosa — ensina que:
“O ego quer sempre estar certo.
O Ser não precisa estar certo — ele simplesmente é.”
O autoengano nasce quando a necessidade de preservar o personagem é maior que a coragem de ver a própria verdade.
Quanto mais forte a narrativa interna, mais distante ficamos da realidade viva do agora.
Energeticamente, o autoengano drena poder pessoal.
Isso ocorre porque:
• exige manutenção constante,
• precisa ser defendido,
• não se sustenta naturalmente,
• produz tensão no campo emocional,
• separa a pessoa da própria intuição.
O Ser flui. A máscara pesa.
A pessoa em autoengano vive cansada, rígida, reativa — desconectada da espontaneidade que caracteriza a alma livre.
A cura começa quando:
• paramos de justificar,
• paramos de defender,
• paramos de contar histórias,
• paramos de fugir.
E permitimos que a presença revele o que realmente é.
A humildade espiritual — tão valorizada pelas trilhas ancestrais — é a capacidade de reconhecer erros sem perder o valor essencial.
É saber que somos parte do Todo, e que a verdade nunca é uma ameaça ao Ser — apenas ao ego.
Sabedoria Ancestral do Xamanismo para o Ego.
Autoengano – A Máscara que nos Afasta do Ser.
Carlos Fernandes


